ANO DO LAICATO

6 dez 10:542017

ANO DO LAICATO


Em comunhão com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a Diocese de Paracatu celebrou a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, e abriu festivamente o Ano do Laicato. A Igreja considera “leigos” os fiéis que não receberam as Ordens Sacras, isto é, os que não foram ordenados Diáconos, Padres e Bispos. Os leigos formam a grande família dos filhos e filhas de Deus. O Espírito Santo distribui inúmeros dons e carismas para que nada falte ao povo remido pelo sacrifício de Jesus na cruz. A Igreja é fundada como povo reunido na unidade da Trindade (cf. LG, 4). Com o dom da Eucaristia Jesus forma o seu corpo. Com o envio do Espírito santo, ele reúne todas as gentes numa só família. A Igreja é, em cristo, sacramento da íntima união com Deus e da unidade de todo gênero humano (cf. LG, 1). Num mundo dividido por interesses classistas e individualistas, os leigos são chamados a edificar o Reino de Deus para serem profecia e fermento de unidade no seio da humanidade. Os cristãos agregados na Igreja una devem assumir a sua missão – cada um no seu lugar e respondendo à sua vocação de serem fermento, sal e luz de Cristo na sociedade. Importa trabalhar em comunhão, sem contudo se esquecer de que a unidade é obra do Espírito Santo. Para tanto, cada membro da Igreja deve assumir uma atitude fundamental: a conversão do coração. O Ano do Laicato é também o ano da conversão ao amor que perdoa, refaz a fraternidade e reconstrói a comunidade. É na comunhão com o Senhor que o laicato encontra o caminho da unidade na diversidade que o caracteriza. A união com Deus e os irmãos requer estilo de vida evangélica, capaz de:

• superar toda forma de autossuficiência, competição e vanglória;
• acolher o outro com paciência e amor;
• abrir a porta do coração ao irmão e deixá-lo entrar;
• reconhecer as culpas e perdoar-se mutuamente;
• amar os semelhantes com aquela caridade que tudo desculpa, tudo crê, todo espera, tudo suporta (cf. 1Cor 13,7).

O ano do Laicato é o ano da fraternidade e da operosidade do amor. Que cada um se desarme e viva o amor, porque o amor afasta o temor do outro; que o eu não prevaleça sobre o nós, mas se integre como um tijolo nas paredes da casa de Deus. O tijolo não escolhe o seu lugar na alvenaria, simplesmente permanece onde foi colocado e ali trabalha. O objetivo principal do Ano do Laicato é a construção do Reino de Deus. Para realizar esse projeto, os leigos contam com a ajuda de Jesus, o servo-rei, que não quis se sentar num trono luxuoso e distante, mas optou por viver sempre muito perto da sua gente, misturado com os pobres e com “cheiro de povo”. Em Jesus, Deus escolheu estar conosco, para ser o nosso Emanuel. O que é o homem para ser tratado com tanto carinho? (cf. Sl 8,5). Os cristãos leigos podem ter a certeza de que o Senhor os assiste em todos os momentos e circunstâncias da vida. O conceito de cristão pode ser ampliado, porque todo aquele que vive o amor pratica o cristianismo, mesmo que não seja batizado e integrado numa comunidade de fé. Para Jesus, o que importa é ser amor para o próximo, como o foi o bom samaritano. O mundo está cheio da presença de Deus: é preciso ter olhos para enxergá-lo, ouvidos para escutá-lo, mãos para servi-lo e pés para ir ao seu encontro. A Igreja, “em saída”, proposta pelo Papa Francisco, pode ser definida como comunidade missionária, que sai de si, vai ao encontro dos irmãos e os serve. Na condição de cristãos que vivem a comunhão, a participação e o protagonismo eclesial, os leigos, com seus dons, carismas e ministérios, atuam na Igreja e nas estruturas do mundo; destarte, são chamados a serem outros Cristos nos ambientes onde vivem e trabalham. Caros leigos, jamais lhes faltarão as bênçãos e as consolações do Espírito Santo! É preciso deixar Deus ser Deus em suas vidas, sendo dóceis ao seu Espírito. Não tenham medo de testemunhar o evangelho, mesmo que suas atitudes os levem ao martírio. A morte é passagem para a vida eterna. O que não pode acontecer é morrer por dentro enquanto se está vivo. O Ano do Laicato será mais frutuoso se os cristãos se deixarem converter pela Palavra e pela Eucaristia. Esses alimentos essenciais da vida interior nutrem a fé, sustentam a esperança e dinamizam as caridades da Igreja. Irmãos e irmãs, fé e coragem! A todos, frutuoso Advento, Santo Natal e abençoado Ano Novo!


Paracatu – MG, 1º de dezembro de 2017
+ Jorge Alves Bezerra, SSS
Bispo de Paracatu – MG

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