O chamado para o Reino de Deus

13 ago 18:26Mês das Vocações

DIÁLOGO INTERPESSOAL

Outro dia li um opúsculo intitulado “Momentos”, escrito por Moisés Alves Bezerra, cuja obra serve de base para refletir sobre a necessidade que os seres humanos têm de dialogar entre si e com Deus. De acordo com o autor, para haver um diálogo são necessárias no mínimo duas pessoas, uma para falar e outra para ouvir. A comunicação interpessoal é pautada pelos princípios da atenção e principalmente pela educação que sabe calar para ouvir o outro. Esta atitude capacita o homem para estabelecer um relacionamento saudável (cf. página 13). Ainda segundo autor, é muito importante sentir-se à vontade nos encontros interpessoais. O primeiro encontro causa sempre uma sensação diferente, com certa dificuldade para iniciar a conversa. Alguns ficam preocupados e pensam: não sei o que dizer, nem por onde começar... Então, predomina certa “ansiedade por conversar com alguém que não conheço”, mas o autor reconhece que o normal é sentir-se à vontade durante os encontros (cf. página 15). Até certo ponto é admissível ter tais reações, porque o início de um relacionamento é sempre meio acanhado e limitado pela falta de convívio e assunto. Em se tratando de encontros terapêuticos, p. ex., a conversa segue o viés do clichê profissional até desembocar, se possível, na normalidade da comunicação que nutre o entendimento e vincula as pessoas. A arte de dialogar obedece a um princípio muito simples, porém exigente: primeiro conhecer a si, depois conhecer o outro. Sem o autoconhecimento corre-se o risco de interpretar o outro a partir das projeções. Há pessoas inseguras que, diante da própria realidade, se refugiam em relacionamentos superficiais e defensivos, sempre blindando e dificultando a revelação da própria identidade. A sinceridade e a autenticidade dos diálogos são de suma importância para a convivência harmoniosa e saudável. Diante da clausura do eu é necessário utilizar técnicas terapêuticas apropriadas, além da pedagogia do amor, como recursos para adquirir o mínimo de credibilidade e assim desenvolver uma relação de ajuda capaz de humanizar os encontros e facilitar os diálogos. A compreensão afetuosa do outro ameniza as tensões e cria um ambiente favorável para o trabalho de humanização da vida. Tratar de questões objetivas, que dizem respeito à realidade existencial de alguém requer boa capacitação e principalmente amor à causa. Não se deve esquecer que lidar com pessoas é trabalhar com o que há de mais precioso e sublime sobre a terra. O caminho de libertação pessoal passa pelo tratamento das causas que afligem e deformam a beleza da imagem de Deus em nós. A restauração dos seres humanos é semelhante ao trabalho de um diretor espiritual experimentado que trata as paixões da alma e ajuda o fiel a percorrer o caminho de superação dos obstáculos que truncam a união com Deus. É no campo de batalha contra as paixões da alma que se compreende algo sobre a pedagogia do amor de Deus. O Espírito do Senhor esquadrinha as profundezas do coração e as reservas de amor que ali se encontram. Cada ser humano é depositário de um tesouro valioso composto de pérolas preciosas, pelas quais vale a pena dar tudo para preservá-las. A preciosidade das pérolas é símbolo do Reino de Deus, da sua justiça e da felicidade que o homem procura. Para ser feliz, cada um deve se empenhar para remover as montanhas interiores, os medos e temores que geram insegurança e instabilidade emocional. É impossível libertar-se e fixar o coração em Deus sem antes seguir o laborioso caminho do autoconhecimento e do encontro com o seu lado sombrio. É necessário abrir o coração, dialogar com Deus e com pessoas capacitadas para se obter a superação de tantos limites que dificultam o parto de uma nova vida. Já diziam os padres do deserto: de que adianta voar bem alto, próximo do sol, com asas de cera? A perfeição das virtudes nasce da luta contra aquilo que é imperfeito e ilusório. Os vôos da presunção e da vaidade são armadilhas que fazem cair por terra os seus viajantes. Todo ser humano é chamado a crescer com solidez, até atingir a estatura de Cristo, mas essa conquista é fruto de muito trabalho, empenho contínuo e vontade férrea de ser um novo homem. Enfim, é preciso não delegar aos céus aquilo que pode e deve ser resolvido aqui na terra. Tem tanta gente boa que pode ajudar a gente! Afinal, a prestação dos serviços de Deus passa também pelas mediações humanas. É dialogando que as pessoas se entendem e superam os impasses que entravam a fluidez da vida. Aproveitem os MOMENTOS de cada dia e pratiquem bons diálogos interpessoais. Comunique-se com Deus e os irmãos e alivie os fardos das suas jornadas. Coragem!

+ Jorge Alves Bezerra, SSS
Bispo de Paracatu - MG


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