O dom da vida

23 mai 2014 22:46

Dia 23/04 pp. caiu na Oitava da Páscoa, mesmo assim em alguns lugares do brasil e do mundo a Igreja celebrou as festas de São Jorge, o santo guerreiro, e de Santo Adalberto, bispo e mártir. esses homens receberam o batismo de sangue e deram testemunho de fé heróica. Suas virtudes são admiráveis, mas o que nos interessa é imitá-las; como cristãos, sigamos a conduta evangélica dos discípulos de Cristo. A profissão radical da fé e o triunfo da glória de Deus nos santos exigem o dom de si como hóstia viva. Seguir a Cristo é doar-se por inteiro pela causa do Reino. Tem tantos modos de doar a vida! O martírio cruento [aquele que derrama sangue] é um deles, quando o cristão é chamado a testemunhar a fé que professa com a imolação de si próprio. O martírio incruento [aquele que não derrama sangue], ocorre no cotidiano, na obediência da fé, na operosidade do amor. Resgato a memória desses dois santos, não só porque nasci no dia dos seus respectivos martírios, mas porque suas vidas dizem muito para mim, a Igreja e o povo de Deus. A existência cristã ganha novo vigor quando Deus escolhe seus mártires e os sustenta no testemunho da fé até o fim. O martírio é uma vocação especial com a qual o Senhor privilegia alguns fiéis para o bem espiritual de toda a igreja. O compromisso indeclinável com a fé batismal, o empenho supremo com os valores do evangelho e o sacrifício da própria vida associam os mártires de modo absoluto e radical à morte de Jesus na cruz. Os mártires sofrem por conta da sua fidelidade ao Senhor. E com sua imolação multiplicam o número dos fiéis no corpo de Cristo. Convém lembrar que os mártires dão testemunho de Cristo não só com a profissão de fé, mas também com seu estilo de vida e sua morte. Assim, eles imitam a obra salvífica do Redentor concluída sobre o altar da cruz. Os mártires são testemunhas de Cristo por excelência. a imolação dos cristãos não é simplesmente uma manifestação humana, mas ação eficaz do Espírito Santo, que confere ao gesto da entrega da vida um valor particularmente precioso. o “odium fidei” não impede, mas encoraja o testemunho da fé até à morte. Jesus é o modelo dos mártires! Os entendidos da teologia do martírio dizem que dar a vida por Cristo é um gesto fundado sobre a morte de Jesus na cruz e seu significado redentor. O próprio Jesus exortou a igreja e todos os fiéis a tomarem a sua cruz e segui-lo no caminho da paixão. O seguimento romântico de Jesus é uma ilusão; na verdade, a “sequela christi” destaca claramente a necessidade do sacrifício e da mortificação na vida de todos os fiéis. Os benefícios espirituais da páscoa são lastreados pela dureza da cruz. O martírio não é apenas fruto do esforço ou da vontade dos cristãos, mas uma resposta à iniciativa do chamado de Deus. Os mártires são testemunhas qualificadas da fé que lhes plasma a vida e os capacita para assumir as consequências do ser cristão. Nada disso seria possível sem a união com cristo, que mediante o seu espírito fala e age nos discípulos martirizados. A graça do senhor possibilita o martírio, pois ela se manifesta na fraqueza humana como coragem, força e perseverança nas provações (cf. 2cor 12, 9-10). Portanto, no martírio os cristãos agem sob o impulso da graça, por isso eles reúnem condições para doar a totalidade da vida a Deus. Destarte, eles se associam de modo absoluto e radical à morte sacrifical de Jesus na cruz. em virtude desta entrega plena de si, pode-se dizer que o martírio é o maior ato de amor que um ser humano faz a Deus e aos irmãos. Sem dúvida, este ato constitui o caminho mais nobre à santidade, pois exercita todas as virtudes. O martírio aproxima e atualiza a paixão de Jesus na história. Em cada mártir da Igreja triunfa a força de Cristo, que vence a morte e supera o poder do mal. O reconhecimento da santidade e o culto devotado aos mártires é uma prática eclesial salutar que vêm dos primeiros cristãos. Eles perceberam a íntima relação entre fé e vida no cotidiano dos irmãos martirizados. O tema do martírio toca também à Virgem Maria, porque ela assumiu o martírio incruento nas diversas circunstâncias da sua vocação e missão. Com justiça, Maria é a Rainha dos Mártires, porque testemunhou radicalmente as virtudes teologais até o fim. No itinerário cristão, o relacionamento com Maria se impõe como imperativo da fé (cf. lg 67), e estímulo de santidade para o compromisso radical com cristo. Insere-se ainda na trilha do martírio incruento de Maria o testemunho dos santos recém canonizados: José de Anchieta, João XXIII e João Paulo II, cujas vidas ministeriais foram especialmente consagradas a Deus e espelhadas na mãe de Jesus. Caros diocesanos, cultivem a alegria dos verdadeiros discípulos de Cristo. Não tenham medo de dar testemunho da fé até as últimas consequências.

Dom Jorge Alves Bezerra, SSS
Bispo Diocesano de Paracatu – MG



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