VIGÁRIO PAROQUIAL: SIMPLES SUBORDINADO DO PÁROCO OU CO-RESPONSÁVEL DA PARÓQUIA?

22 out 2014 00:53Direito Canônico

Está cada vez mais comum em nossas paróquias a presença de um pároco com um ou mais vigários paroquiais. Infelizmente na visão de muitos, o vigário paroquial é um mero subordinado que está ali para cumprir ordens do pároco. Porém, além de pároco e vigário paroquial possuírem o mesmo grau da ordem (serem irmãos no ministério presbiteral), o Vigário Paroquial possui obrigação canônica de cooperar com o pároco na solicitude pastoral da paróquia.

O cân. 545, § 1 assegura que “para o adequado cuidado pastoral da paróquia, sempre que for necessário ou oportuno, pode- se dar ao pároco um ou mais vigários paroquiais que, COMO COOPERADORES DO PÁROCO E PARTICIPANTES DA SUA SOLICITUDE prestem sua ajuda no ministério pastoral, de comum acordo e trabalho com o pároco”. O cânone cân. 548, § 2 em seu parágrafo segundo assevera que: “salvo determinação expressa em contrário no documento do Bispo diocesano, O VIGÁRIO PAROQUIAL, em razão de seu ofício, TEM OBRIGAÇÃO DE AJUDAR O PÁROCO EM TODO O MINISTÉRIO PAROQUIAL, exceto na aplicação da missa pelo povo; tem obrigação também de substituí-lo, se necessário, de acordo com o direito”.

O que muitas vezes se entende como subordinação, deveria ser entendido como unidade e comunhão nos trabalhos paroquiais. É o que determina o cân. 548, § 3: “O vigário paroquial refira regularmente ao pároco as iniciativas pastorais programadas e assumidas, de modo que o PÁROCO E O VIGÁRIO OU VIGÁRIOS ESTEJAM EM CONDIÇÕES DE ASSEGURAR, COM EMPENHO COMUM, O CUIDADO PASTORAL DA PARÓQUIA, DA QUAL SÃO CONJUNTAMENTE RESPONSÁVEIS”.

A diferença é que o pároco responde juridicamente pela paróquia (cf. cân. 532) e por isso pesa sobre ele uma responsabilidade maior, sobretudo quanto à administração dos bens e a prestação de contas. Porém, pastoralmente tanto o pároco como o vigário paroquial partilham da mesma responsabilidade.

O código não se esquece de aconselhar que de alguma forma haja vida comum na casa paroquial para favorecer a comunhão e a participação (cf. cân. 550, § 2). E prevê que o Bispo Diocesano destitua o Vigário Paroquial por justa causa a qualquer momento (cf. cân. 552).

Nem o pároco deve se sentir menos autoridade ao partilhar responsabilidades com o pároco, nem o Vigário Paroquial pode se sentir explorado por isso. Em outras palavras, o vigário paroquial também precisa sentir-se responsável pela paróquia e é membro nato de todos os conselhos à nível paroquial, sempre atento ao princípio de comunhão. Pároco e vigário paroquial precisam formar numa paróquia uma equipe em comunhão, e nunca uma “eu-quipe”, caso contrário serão um contra testemunho às comunidades que atendem.

Um bom vigário paroquial, que se sente responsável pela paróquia e tenha iniciativas pastorais em comunhão com o pároco, será um ótimo pároco no futuro. Um vigário paroquial desleixado, sem iniciativas e sem comunhão com o pároco, se vier a assumir a responsabilidade de uma paróquia, dificilmente será um bom pároco.


Pe. Antônio Eduardo
Vigário Judicial Diocese Paracatu
Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia
Mestre em Direito Canônico

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