AS NOVAS COMUNIDADES E A IGREJA PARTICULAR

15 dez 2014 22:35Direito Canônico

A CNBB publicou em 2009 o subsídio doutrinário “Igreja Particular, Movimentos Eclesiais e Novas Comunidades” para orientar a Igreja do Brasil sobre essa nova realidade eclesial que está florescendo.

O florescimento dos movimentos eclesiais encontra sua principal razão de ser na natureza da própria Igreja-comunhão, marcada pela comum dignidade dos membros do Povo de Deus e pela diversidade de dons e carismas provenientes do Espírito.

Muitas novas comunidades presentes no Brasil são de matriz carismática. Surgem, geralmente, a partir dos grupos de oração da Renovação Carismática Católica. Trata-se de pequenas comunidades com sede própria, estatutos ou regra de vida, carisma próprio, registro civil da entidade, com coordenação independente da Renovação Carismática Católica e da paróquia, com a assistência de algum padre, que geralmente não é o pároco.

Essas comunidades desenvolvem trabalho intenso de evangelização, enfatizando o anúncio, atividades pastorais abertas ao povo (reuniões para oração, evangelização, catequese, missas), bem como de assistência social (obras caritativas, cursos).

Mas estas novas comunidades enfrentam alguns desafios: 1) a estrutura paroquial tradicional não tem favorecido o conhecimento e o relacionamento entre as pessoas que anseiam encontrar acolhida e relacionamento fraterno na Igreja e nas casas religiosas; 2) os fundadores e dirigentes leigos e leigas, trabalham independentes do pároco e dos próprios dirigentes diocesanos da Renovação Carismática Católica. Essa “autonomia” torna desafiante a relação das novas comunidades com a Diocese; 3) os riscos de espiritualismo e sentimentalismo.

Por se tratar de uma experiência nova na Igreja, as novas comunidades ainda não receberam uma formulação canônica completa. Não se deve ceder à tentação de enquadrar totalmente o que é novo em legislações vigentes. Mas compete ao Bispo Diocesano examinar e ajudar as novas formas de vida consagrada, que no momento oportuno poderão ser aprovadas pela Sé Apostólica (cf. cân. 605). Pois vários componentes desta última podem ser encontrados também nos movimentos, como o espírito de pobreza, de castidade, de obediência, a vida de oração e convivência fraterna, conforme já previsto no cânon 298 e formulado pelo Concílio Vaticano II (cf. LG, n. 39). Porém, existem diferenças que impedem aos membros dos novos movimentos serem considerados como religiosos, mesmo porque eles se consideram cristãos leigos.

Mais complexa ainda é a questão da formação de candidatos ao sacerdócio por parte de movimentos eclesiais ou novas comunidades, bem como de sua ordenação e incardinação. O Código de Direito Canônico não a permite a incardinação de um padre num movimento. A Igreja recomenda atenção aos seminaristas diocesanos que cultivam espiritualidade oriunda de um movimento para que estes respeitem as outras vias espirituais e sigam as orientações dos responsáveis pelo seminário (cf. PDV, n. 68).

A atitude de abertura, respeito e obediência ao respectivo Bispo Diocesano é a exigência indispensável para a inserção dos movimentos e novas comunidades na Igreja particular. Essa atitude é traduzida concretamente pela acolhida de suas orientações e eventuais correções. Daí a necessidade de abertura recíproca entre o bispo e os movimentos, ou novas comunidades, para o diálogo e o discernimento atento, no espírito de oração e de grande amor à Igreja.

Pe. Antônio Eduardo de Oliveira
Mestre em Direito Canônico

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