ORAR, EVANGELIZAR, SERVIR

1 abr 2015 23:24Palavra do Pastor

A Igreja existe para evangelizar. Evangeliza-se com palavras e atitudes que nascem da comunhão com Deus. A diaconia da Igreja tem por base a fé, a esperança e a caridade. Essa tríplice coroa de virtudes é fundamental para ornar a vida cristã e sustentar o testemunho do serviço evangélico. O foco da missão eclesial é revelar Jesus como salvador do gênero humano. A missão do discípulo é mostrar o rosto misericordioso de Deus para o povo e indicar o caminho a seguir, Jesus. Quem o segue aprende o modo correto de ser homem e como se faz para crescer humana e espiritualmente até atingir a estatura do mestre de Nazaré. É a partir da comunhão com Deus que o ser humano se define como homem maduro. No plano da fé, só se entende o homem a partir de Deus. É só quando vive na relação com Deus que a sua vida cristã é correta. O que distingue um bom e fiel servidor, o que é único e essencial na sua pessoa? – é o relacionamento face a face com Deus, como um amigo fala com outro amigo. Era assim que Moisés dialogava com Javé. O decisivo na vida do discípulo de Cristo não é a fama que ele adquire por causa do seu apostolado, não são as obras e as provações do caminho... Decisivo é que ele seja íntimo de Deus, que fale com o Senhor como a um amigo. Que tenha uma vida evangélica, de profunda comunhão com o Senhor, capaz de levá-lo a fazer a mesma experiência espiritual do Apóstolo Paulo: “é cristo que vive em mim!” (cf. Gl 2,20). É dessa simbiose com Cristo que nascem as obras de um autêntico servidor do Evangelho. A vivência exitosa da Campanha da Fraternidade 2015, pressupõe ter Cristo como único centro de vida. É importante reter que a comunhão com o Senhor faz do discípulo um revelador autêntico do projeto de Deus para a sociedade. Sem intimidade com o Senhor, o evangelizador assemelha-se a um agente social ou a um militante político desprovido de mística e de caridade fraterna. O lastro teológico desta campanha é a espiritualidade do serviço. O Evangelho é o caminho a ser seguido pelo discípulo, que o propõe à sociedade como dom de si. Servir aos irmãos movido pela fé é uma decisão pessoal que não se limita à razão, mas é fruto da escuta do espírito e da prece dirigida ao Pai. O sustento desse serviço é buscado no diálogo face a face, na contemplação daquele que é um com o Pai (cf. Jo 10,30) e que está presente na Santíssima Eucaristia. Sem esta base orante interior, o evangelizador se converte em racionalidador da Palavra. Sua mensagem e sua ação pastoral já não são fecundas, porque não nascem da mesma fonte de Jesus. A formação do lastro espiritual, a contemplação do senhor e o contato face a face são condições sem a quais não se pode seguir fielmente o Cristo. O serviço prestado pela Igreja à sociedade tem sua origem na intimidade com o Senhor, que se retirava “para o monte” e aí rezava toda a noite, “sozinho” com o Pai. É dessa experiência espiritual que vem a credibilidade e os frutos da ação pastoral. A oração é a alma do apostolado. É necessário penetrar no mistério da fé, colocar-se diante do tabernáculo, cultivar a mística da oração e escutar o Senhor, para conhecer a vontade de Deus e revelá-la como prestação de serviço. A diaconia evangélica da Igreja é fortalecida e dinamizada pelo poder da oração. Ai de nós se não rezarmos! Seremos como tambores vazios e barulhentos, descendo ladeira abaixo. A Campanha da Fraternidade produzirá frutos abundantes na medida em que a compreensão de Jesus, como homem de oração e ação, nos estimular a seguir seus exemplos. Caso contrário, o período da campanha passará sem produzir frutos de conversão, de mudança de mentalidade e de hábitos que nos mantém deitados sobre o leito da esterilidade pastoral. Onde há oração existe fraternidade, serviço e caridade. Os antigos diziam que a oração é “arte entre as artes”: a filocalia, que quer dizer amor pela beleza. Assim sendo, a oração é a arte através da qual nos unimos à beleza última, Deus. Orar é uma experiência espiritual gratificante, que brota do coração que se comunica com Deus. Por isso, a arte de orar é carregada de sentimentos... Essa preocupação de voltar a orar e de percorrer o caminho da mística como seiva do apostolado, permite-nos lançar um olhar de aprendizado sobre os seguintes aspectos do ministério de Jesus: a obediência filial, a fonte do seu agir pastoral, o anúncio do Evangelho e o sofrimento redentor. Em cada expressão do seu apostolado, a comunhão com o Pai se apresenta como experiência espiritual determinante. A oração de Jesus é conversa e comunhão do Filho com o Pai. Assim, Jesus se torna o revelador perfeito do Pai, que se faz presente em toda palavra e ação do Filho. Por isso, quem vê Jesus, vê o Pai (jo 14, 9). O Pai envia o Filho para ser um servidor e o Filho diz: “eu vim para servir” (cf.mc 10,45). Enfim, peço a Deus que o exemplo de Jesus estimule a nossa diocese a fazer a necessária conversão pastoral, para calçar as sandálias da missão e ser uma Igreja “em saída”, Solidária e servidora. Que não nos faltem a ajuda do Senhor e as bênçãos de Maria, flor do Carmelo, para sermos operários zelosos da sua vinha e servos dedicados do seu reino. Aos queridos diocesanos, desejo frutuosa Páscoa da Ressurreição do Senhor. Minha bênção e afetuosa saudação.

Dom Jorge Alves Bezerra, SSS
Bispo Diocesano de Paracatu -MG

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