EUCARISTIA: FONTE DE HUMILDADE

26 out 2015 20:02

Quem adora em espírito e verdade aprende sempre muitas e boas lições de Cristo Eucarístico. Creio que a principal delas é a humildade. Às vezes, penso que diante de Jesus pão de vida deve-se ter uma postura corporal semelhante àquela do publicano do Evangelho. Esse homem não ousava erguer os olhos para o céu, não se julgava digno de ver Deus, mas – angustiado – batia no peito, dizendo: tem piedade de mim, ó meu Deus, porque sou pecador! Deus escutou a sua prece e lhe deu a grande bênção da justificação (cf. Lc 18,13-14). Se durante a adoração o fiel permanecer curvado e humilhado diante de Deus, pode parecer um exagero semelhante a um complexo de culpa ou depressão. Na verdade, não é bem assim! O Salmo 50 convida-nos a reconhecer o próprio pecado para obter o perdão de Deus. O pecado é uma humilhação para os seres humanos. Seus danos são conhecidos: angústia, tristeza, vergonha, fuga, mentira... Quem se humilha por causa dos seus pecados é exaltado por Deus. O perdão é uma estrada de santidade que se abre às profundezas do ser para reconstrui-lo e fazê-lo retomar o caminho da salvação. A Eucaristia é a caridade de Cristo, instituída para a remissão dos pecados. Se o adorador faz um verdadeiro ato penitencial diante do Senhor, é certo que obtém a cura da alma e do coração, mas se o seu pecado é gravíssimo e persiste, então deve procurar um sacerdote, fazer a confissão auricular, cumprir a penitência prescrita e recomeçar a vida nova. Diante do Santíssimo Sacramento exposto os fiéis adoradores são perscrutados em seus corações, até porque deus conhece os pensamentos dos homens, de longe ele detecta as manobras da razão para autojustificar-se e permanecer em seus pecados. É preciso estar atento a si mesmo! Como sugere o autor do Eclesiástico, é necessário afastar-se das próprias vontades (18,30) para fazer a vontade Deus de. Nesse sentido, a instrução do livro dos Provérbios é apropriada para quem aspira a santidade centrada na devoção eucarística. A Eucaristia propõe um caminho de perfeição das virtudes, mas exige a renúncia dos pecados. É preciso estar atento, porque há caminhos que nos parecem retos, mas na verdade conduzem à morte (cf. Pr 16,25). A espiritualidade eucarística requer o bom uso da inteligência para manter o fiel em estado permanente de atenção, de modo que suas virtudes sejam preservadas da melhor forma possível. A vida eucarística é semelhante a um campo de batalha, onde se combate o bom combate da fé. Esta guerra contra o pecado é confiada aos melhores soldados, àqueles que vigiam, oram e trabalham para viver na presença de Deus, em santidade e justiça. Aos pés de Cristo Eucarístico os fiéis adoradores caminham mais rapidamente, e de forma segura, para a perfeição das virtudes. Jesus, Pão de Vida, é um mestre exigente, que educa pacientemente as profundezas do ser e transforma pecadores em santos. Na vida do adorador, o amor a cristo e o deleite das virtudes devem se converter no motivo central do agir cristão. Quem permanece nesse estado de vigilância adquire a caridade de Cristo, que afasta todo o medo de assumir as consequências da vida nova. Assim, deus aperfeiçoa a espiritualidade eucarística e forja novos santos na vida da Igreja. Os santos não nascem prontos, eles são pecadores que ouvem a praticam a Palavra de Deus: “sejam santos...!” (cf. 1pd 1,16). Ao abraçarem a obediência da fé, tornam-se sóbrios, vigilantes e não se deixam dominar pelo pecado. Em meio aos grandes combates, mantêm-se puros da corrupção do mundo, vivem na presença de Deus e agem em seu nome. Que maravilha! Quando Deus quer formar um santo (a) ele olha nas profundezas da pessoa e a abraça; em seguida, tomamdo-a pela mão a conduz de experiência em experiência à perfeição das virtudes. Esse toque de leveza do Senhor, na alma e no coração, é dado principalmente diante do Santíssimo exposto, mas também diante do pobre, que é sacramento de Deus. A virtude necessária para esta experiência espiritual é a humildade, que tem a capacidade de agrupar as demais virtudes ao redor de si. A humildade que jorra da Eucaristia vence o orgulho e pavimenta a estrada da santidade. Cristo, pequeno e frágil na Hóstia Consagrada, é simples e forte na vida de quem o comunga com fé. A união com Cristo Eucarístico é transformadora, supera o medo de Deus e liberta de todo temor; quem vive unido ao Senhor não tem medo de nada, porque Deus é o gestor da sua vida. Deus resiste aos soberbos e concede seu favor aos humildes (cf. Pr 3, 34). Da Eucaristia nasce um amor que abraça a todos. Amor que nos faz humildes e ensina a acolher os pequenos, os fracos, os pobres. Ser fraterno é o traço mais nítido da vida eucarística porque significa comunicar amor, que faz sair de si para lavar os pés dos irmãos. A humildade que se abaixa para servir (cf. Jo 13, 1-17) cuida das feridas da alma e do corpo daqueles que esperam pela nossa caridade. Busquemos essa humildade na Eucaristia.

Paracatu – MG, 22 de setembro de 2015
Dom Jorge Alves Bezerra, SSS
Bispo Diocesano de Paracatu - MG

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