A SINODALIDADE DA IGREJA

23 mar 2016 23:00Direito Canônico

A palavra Sínodo significa é “caminho feito juntos” ou “caminhar juntos” e expressa a própria realidade da vida eclesial: um povo chamado à comunhão com Deus e com os irmãos; a caminhar unido na peregrinação deste mundo, e não de maneira isolada; a abraçar juntos a missão da Igreja, cada um fazendo a sua parte; a se ajudar reciprocamente, constituindo, já neste mundo, a família de Deus chamada à vida plena na casa do Pai.
Além do Sínodo dos Bispos previsto nos cânones 342 a 348, o Código de Direito canônico prevê um Sínodo Diocesano nos cânones 460 a 468. Embora seja uma instituição permanente e oficial na Igreja, a maioria das Dioceses preferiram, até então, ao invés do Sínodo (regulamentado pelo código com passos exigentes), realizar Assembleia Diocesana (inspiradas no Sínodo Diocesano, mas que proporcionam maior liberdade por não estar regulamentada no código).

O Sínodo dos Bispos foi instituído pelo Papa Paulo VI com o Motu proprio “Apostolica sollicitudo”, de 15 de setembro de 1965. Ao celebrar o 50º aniversário da instituição do sínodo pelo papa Paulo VI, o Papa Francisco falou de “uma saudável descentralização na Igreja”. Incitando a retomada de uma eclesiologia sinodal, tratou a “sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja”, como convite “a superar a autorreferencialidade dos ministros ordenados, para voltar a conceber os bispos como aqueles que, de acordo com o ensinamento da Lumen Gentium, 23, representam singularmente a própria Igreja e colegialmente a Igreja inteira, fazendo do colégio dos bispos a epifania da Communio Ecclesiarum”.

Na prática, isto exige repensar os três momentos fundamentais em que se articula a atividade sinodal: a PREPARAÇÃO, a CELEBRAÇÃO e a EXECUÇÃO, considerados como “etapas sucessivas de um processo sinodal em que a ASSEMBLEIA GERAL é a fase culminante”.

O discurso proferido pelo Santo Padre para o quinquagésimo aniversário do Sínodo dos Bispos é um dos textos programáticos e teologicamente mais desafiadores para a Igreja, especialmente quando Francisco afirma: “Uma Igreja sinodal é uma Igreja que escuta, com a consciência de que escutar é mais que prestar ouvidos. É uma escuta recíproca, em que cada um tem algo a aprender. Povo fiel, colégio dos bispos, bispo de Roma: um à escuta dos outros e todos à escuta do Espírito Santo”.

O Papa deseja que a Igreja inteira seja marcada pela “sinodalidade” e pela busca de uma vigorosa comunhão afetiva e efetiva, pelo envolvimento de todos os batizados na vida e na missão da Igreja. O nível básico dessa expressão sinodal da Igreja, diz o papa, são as dioceses, com seus conselhos e outros organismos de comunhão e participação: “na Igreja sinodal, todos são chamados a ocupar o seu lugar”.
Tudo indica que o Papa Francisco deseja “Igreja sinodal” e isto terá fortes implicações no caminho eclesial daqui para frente. Estamos diante de uma orientação consistente para a renovação eclesial nas Dioceses e, consequentemente, nas paróquias.


Pe. Antonio Eduardo de Oliveira
Me. Direito Canônico

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