PARA ONDE VAMOS?

16 out 18:50Mês Missionário

PARA ONDE VAMOS?


Ao governo brasileiro interessa que a economia apresente resultados positivos, que os empresários estejam satisfeitos, que as atividades industriais e agropecuárias cresçam e gerem lucros para poucos. As migalhas do serviço temporário e informal – destinadas à maioria da população – são medidas paliativas. A instabilidade no trabalho deixa os cidadãos sem possibilidades de planejar a vida e construir no presente um futuro melhor. Além disso, gera insatisfação e revolta nos brasileiros, agora obrigados a trabalhar quase cinquenta anos para se aposentar de modo menos injusto. O grau de descontentamento do povo com o governo é expressivo, sem precedentes recentes. Hoje, temos 13/14 milhões de desempregados no Brasil, além de uma multidão incalculável de pessoas na fila virtual do atendimento de saúde pública. As renques continuam as mesmas e crescem dia a dia, as pessoas ficam em casa, aguardando serem chamadas – quando não são esquecidas e passadas para trás por causa das “urgências” do tráfico de influência e das conveniências. Então, dá a impressão de que tudo vai bem: por um lado, postos menos concorridos, filas virtuais e o povo em casa; por outro, muita gente oprimida pela angústia de ver seus entes queridos, vizinhos e amigos morrerem à míngua em seus domicílios e nos corredores dos hospitais. Bons analistas afirmam esta que esta geração de políticos que aí está, com raríssimas exceções, tornou o Brasil muito pior. Nosso país é um barril de pólvora a espera de uma faísca. Bem que a segurança pública poderia ser chamada de insegurança pública, porque os cidadãos não estão seguros em lugar nenhum do país. Os irmãos da resistência estão mais bem organizados e armados do que as forças federais e auxiliares, que não dão conta de extinguir o tráfico de drogas, de armas, de pessoas, de malas e caixas cheias de dinheiro vivo para alimentar o “crime legalizado”. Cada vez mais os profissionais do jogo rápido e eficaz conseguem dinheiro nos bancos, nos caixas eletrônicos, nos carros fortes e nos assaltos ao comércio varejista. Estima-se que de cada dez investidas, oito são bem sucedidas. Quase sempre as forças de segurança do Estado e da União chegam despreparadas para lidar com gente treinada e disposta a arriscar a própria vida e a dos outros para conseguir seus objetivos. Às vezes, a tática de chegar depois das ocorrências, para evitar o confronto com grupos mais bem armados, visa proteger a própria vida e a de terceiros, que poderiam ser alvejados por balas perdidas. Mas nem sempre essa precaução funciona... O fato de solicitar auxílio das tropas federais significa que as forças de segurança do Estado reconhecem sua impotência diante do crime organizado em algumas cidades brasileiras. Por outro lado, faltam investimentos em salários, qualificação profissional, equipamentos, e logística em tantas unidades militares e departamentos civis, instituídas para combater os que agem à margem da lei. À guisa de ilustração, convém recordar que em muitos lugares faltam peças de reposição e combustíveis para as viaturas. E isso não só na área da segurança pública, mas também no campo de saúde... A maioria dos irmãos da resistência, que se aproveitam também dessa situação, é composta de homens e mulheres jovens, dispostos a tudo ou nada para conseguir o prêmio da sua infeliz e corajosa ousadia. Cada vez mais adolescentes e jovens sem formação cidadã, despreparados para o mercado de trabalho, se prostituem no trafico, no consumo de drogas, nos assaltos e nas diversas formas de violência. O governo não consegue formar cidadãos honestos, porque ele mesmo é desonesto e sem moral para exigir da população aquilo que não faz. O amor febril pelo Brasil é a retórica poética da maioria absoluta dos políticos, que ardem de zelo só pelos seus interesses, em detrimento do bem comum. O corporativismo, o cinismo, a falta de vergonha e a desfaçatez transformam a sede do poder numa pocilga, onde os enlameados da república brasiliense se refestelam na podridão das suas conveniências. Se pudessem, os maus políticos fundariam o “PC”, Partido dos Corruptos. No Brasil tem duas grandes quadrilhas bem definidas, uma no “QG” dos presídios, que comanda o crime organizado, com altos faturamentos mensais provenientes do tráfico de drogas e de armas pesadas; outra, encastelada no “QG” da Praça dos Três Poderes, que aperfeiçoa diuturnamente os métodos para obtenção de propinas, com altíssimos faturamentos provenientes de contratos entre o poder público e a iniciativa privada. Vale dizer que essa estrutura de podridão moral se alastra como peste que caminha no escuro pelos Estados e Municípios da Federação. Diante de uma justiça lenta e politicamente tendenciosa, o povo brasileiro assiste ao triste espetáculo da retórica forense encenado por deuses togados, que se julgam acima do bem e do mal. Quanto mais injusto o país, mais religioso o povo se torna. O grande reforço da religião vem das injustiças perpetradas e realizadas contra os pobres, que não têm mais esperança naqueles que os governam, porque são promíscuos e moralmente deploráveis. O jeito é apelar para Deus! Hoje, a palavra “governo” é sinônimo de coisa ruim que faz mal ao povo e precisa ser vomitada. Apesar de tudo, o povo brasileiro espera que corruptos e corruptores sejam devidamente julgados e sentenciados, para que o império da lei prevaleça sobre as injustiças e decrete o fim das impunidades. Enquanto a justiça não for feita, o governo do Brasil será indigesto para os brasileiros: é como comida estragada, requentada, maquiada e servida com o propósito de envenenar a população. A ideologia deste governo atenta contra os pobres e mata a vida. Não se pode dizer sim a um governo que é a lepra e o câncer da sociedade brasileira. Um governo que está contra vida e a favor da morte não merece o apoio dos cidadãos. Que Nossa Senhora Aparecida, pescada por partes nas águas do Rio Paraíba do Sul, ajude a população brasileira a não se afogar nas águas poluídas das injustiças que grassam em nosso país. Adoremos a Deus Pai e Criador de todas as coisas, Senhor do céu e da terra. Sirvamos à causa do Reino da justiça da paz.


Paracatu – MG, 10 de outubro de 2017
+ Jorge Alves Bezerra, SSS
Bispo de Paracatu

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