Presbíteros e Presbitério

Nosso CleroUm dos sinais dos tempos bem significativos para a Igreja em nossos dias é o renovado interesse pela espiritualidade do padre diocesano, o que implica evidentemente um aprofundamento, ou melhor, um retorno às raízes da autêntica identidade sacerdotal e sua missão.

Preocupação que tomou pé após o Vaticano II e se manifestou por toda a Igreja, sobretudo, lá ode a crise do sacerdócio se mostrou mais forte. O Documento EA (nº. 39) propõe “que se fomente uma ação pastoral a favor do Clero Diocesano, para reforçar sua espiritualidade, sua missão e sua identidade, que tem como centro o seguimento de Cristo”.

Foi também a grande atenção das cinco Conferências do CELAM: identidade, missão e espiritualidade dos sacerdotes. Atual e urgente é a advertência da LG (41) quanto à "necessidade de se desenvolver mais amplamente a teologia do presbiterado, explicitando os (seus) componentes de grande importância”. Vejamos, pois.

[size=large]a) – Identidade e missão


Não é momento de aprofundamento teológico da identidade sacerdotal. Basta-nos o que lemos na LG 28: “Cristo... através dos apóstolos, fez participar da sua consagração e da sua missão os seus sucessores, isto é, os bispos, os quais legitimamente confiaram, em graus diversos, o cargo do seu ministério a várias pessoas na Igreja. Assim, o ministério eclesiástico, de instituição divina, é exercido em ordens diversas por aqueles que já antigamente eram chamados bispos, presbíteros e diáconos. Ainda que não tenham a plenitude do sacerdócio e dependam dos bispos no exercício dos seus poderes, os presbíteros estão unidos a eles na dignidade sacerdotal comum e, pelo sacramento da ordem, são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento, à imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote”.

LG 28 ainda explicita que os presbíteros exercem este seu ministério sacerdotal “agindo na pessoa de Cristo” (“in persona Christi agentes”), isto é, “fazem as vezes do próprio Cristo, Mestre, Pastor e Pontífice, e agem em sua pessoa... como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento”. A expressão in persona Christi quer dizer algo mais do que em nome ou então nas vezes de Cristo. In persona , isto é, na específica e sacramental identificação com o Sumo e Eterno Sacerdote, que é o Autor e o principal Sujeito deste seu próprio sacrifício, no que verdadeiramente não pode ser substituído por ninguém.

b) – Espiritualidade sacerdotal

Importa aprofundar o conceito de espiritualidade presbiteral diocesana, para melhor delinear os passos concretos para cada presbítero e o presbitério, em busca de uma vivência autêntica de sua missão. Todos sabem que a característica principal do perfil espiritual ou espiritualidade sacerdotal é a caridade pastoral, “o vínculo da perfeição sacerdotal”. “Desempenhando assim o papel de Bom Pastor, encontrarão no próprio exercício da caridade pastoral o vínculo da perfeição sacerdotal, que levará sua vida e ação a uma unidade” (P0 14).

c) - Presbitério

Outro elemento igualmente significativo da espiritualidade do presbítero diocesano é a consciência viva e madura da sua pertença ao presbitério diocesano (LG 41), que é e deve ser sua verdadeira família. O tesouro de relações humanas, naturais e sobrenaturais, fundadas sobre o comum sacramento da Ordem e sobre a conseqüente referência apostólica com o próprio Bispo e com a própria Diocese, se exprime na realidade do Presbitério, entendido e vivido como uma forma de caridade fraterna única no seu gênero.

Desta caridade tomam forma e consciência o amor e a obediência ao próprio Bispo, a sincera disponibilidade para a colaboração com os co-irmãos de presbitério, a consciência da própria responsabilidade não só para com a própria comunidade, mas com as outras até àquela mais vasta que é a Diocese, para se relacionar depois com toda a Igreja. Tratando da “formação permanente” do presbítero, DAp (326) realça a importância de “desenvolver suas potencialidades e aptidões ministeriais, também mediante uma inserção cada vez mais convicta e responsável no presbitério e, portanto, na comunhão e na corresponsabilidade com todos os irmãos”.

O texto chave é o início do § 2º nº. 28 da LG: “Os presbíteros, solícitos cooperadores da ordem episcopal... formam com seu Bispo um único presbitério, empenhados, porém, em diversos ofícios. Em virtude da comum ordenação sacra e missão, todos os Presbíteros estão unidos entre si e por íntima fraternidade, que espontânea e livremente se manifesta no mútuo auxílio, tanto espiritual como material, tanto pastoral como pessoal, em reuniões e comunhão de vida, trabalho e caridade”.

Surge agora uma questão um pouco melindrosa. A questão dos religiosos. Trata-se, evidentemente, dos religiosos sacerdotes. Pertencem também eles – de direito e plenamente – ao presbitério diocesano? LG 28 e P0 dão a entender que sim, estão aí incluídos. A dúvida que surgiu da CD 28 (em razão de certa distinção aí introduzida) foi dirimida pelo Motu próprio “Ecclesiae Sanctae” de Paulo VI (16/08/66), incluindo os religiosos no Conselho Presbiteral. Logo os considera parte do presbitério.

Então nos perguntamos: quem é o padre diocesano? Quem é o religioso presbítero? Padre diocesano é o padre incardinado em uma Igreja particular ou Diocese, consagrado totalmente a ela, posto ao serviço dela, para pastoreá-la em íntima união com o bispo e os demais membros do Presbitério. A incardinação é a expressão do vínculo jurídico, teológico, espiritual, pastoral, digamos até esponsal do padre com a Igreja Particular, conforme o diz PDV 74.

A incardinação traz consigo uma total consagração à Igreja particular ou diocese, para servi-la em união com o bispo e demais membros do Presbitério. Bispo e presbitério formam profunda unidade. Isso supõe a consciência da própria Diocese, o conhecimento de sua realidade geográfica e cultural, suas riquezas e história passada e presente, suas carências no campo social, econômico, político, religioso. Três grandes realidades estão aí presentes: a diocese, o bispo e o presbitério. Já o Religioso padre é, diferentemente, alguém adscrito a um Instituto religioso que, além de religioso, torna-se também padre. O Vaticano II (CD 34) afirma que os religiosos padres – “vera quadam ratione” – pertencem ao clero da Diocese.

Podemos traduzir essa expressão latina: “vera quadam ratione” assim: “sob certo sentido verdadeiro” ou “sob certo aspecto verdadeiro”. Entendamos então: os religiosos padres sob certo aspecto verdadeiro pertencem ao clero da diocese. Eles não são padres diocesanos, mas “por terem parte na cura de almas e no exercício das obras do apostolado, sob a autoridade dos Pastores sagrados”, podem ser tidos “sob certo aspecto verdadeiro” como pertencentes ao clero diocesano. Na realidade, eles pertencem em sentido pleno e verdadeiro ao Instituto religioso ao qual estão adscritos. Corretamente deveríamos nos referir a eles dizendo: religioso padre ou religioso sacerdote e não padre religioso. O Beato João Paulo II assevera que eles também fazem parte do Presbitério, “mas a título diferente”, ou seja, “vera quadam ratione”.

Criada a Prelazia “Nullius” de Paracatu a 1º de março de 1929, o Santo Padre Pio XI, em maio daquele mesmo ano, confiou-a aos padres da Ordem Carmelita da Antiga Observância da Província Fluminense de Santo Elias. Paracatu muito deve aos Carmelitas. Zelosos e abnegados, eles souberam incutir e preservar a religiosidade e a fé católica de nossos antepassados. Sua diuturna presença missionária no sofrido Noroeste de Minas deixou marcas inconfundíveis de sua ação evangelizadora.

Em 1964, Dom Raimundo Lui 0. Carm., bispo diocesano, em entendimento com o Prior Provincial dos Carmelitas, solicitou à Santa Sé a faculdade para confiar “pleno iure” a paróquia “Nossa Senhora da Conceição de Capim Branco”, em Unaí, aos Carmelitas. O Contrato entre a autoridade diocesana e o Prior Provincial dos Carmelitas foi assinado a 08 de dezembro de 1964. Porém, só a 31 de maio de 1965, Dom Raimundo Lui 0. Carm. entregou oficialmente a Paróquia Nossa Senhora do Capim Branco aos Carmelitas, “ad normam iuris et ad nutum Sanctae Sedis” (isto é, segundo o beneplácito da Santa Sé).
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