Paracatu, 03 de fevereiro de 2026

Memória e História da Diocese

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Nossa História: Fé e Identidade no Noroeste Mineiro

A história da Diocese de Paracatu se confunde com a própria formação do Noroeste de Minas Gerais. Entre caminhos de poeira, percursos missionários e processos de organização social, foi-se construindo uma identidade marcada pela fé, pela perseverança e pelo sentido de comunidade.

As raízes dessa presença cristã remontam ao período colonial. A descoberta de ouro nas margens dos córregos São Luiz e Sant’Ana atraiu colonizadores, que rapidamente organizaram pequenos núcleos humanos em torno de capelas e ermidas. Onde surgia um povoado, erguia-se também um espaço de oração — expressão concreta de gratidão, pedido e esperança.

Em 1755, por alvará de Dom Francisco Xavier de Aranha, foi criada a Paróquia de Santo Antônio da Manga do Paracatu, marco oficial do início da presença eclesial estruturada na região. Em 1798, com a criação da Vila do Príncipe de Paracatu, a organização social e religiosa ganhou novo impulso.

Já no século XX, o Papa Pio XI criou, em 1º de março de 1929, a Prelazia Nullius de Paracatu, confiando sua administração a Frei Eliseu van der Weijer, O. Carm. Em 1962, o Papa João XXIII elevou a Prelazia à condição de Diocese, nomeando Dom Raimundo Lui, O. Carm., como primeiro bispo diocesano. A partir daí, consolidou-se a caminhada pastoral e missionária que continua viva até hoje.

Dom Eliseu van der Weijer: o “Pai da Diocese”

Figura central na história diocesana, o bispo carmelita Dom Eliseu van der Weijer ficou carinhosamente conhecido como “Pai da Diocese de Paracatu”. Chegou como Monsenhor Prelado em 1929 e governou por 33 anos.

Seu pastoreio foi marcado por simplicidade, bom humor e espírito missionário. Percorria longas e difíceis distâncias sobre o lombo de animais para encontrar comunidades distantes, celebrar sacramentos e animar a fé do povo. Sua presença firme e afetuosa preparou o terreno para a futura elevação da Prelazia à Diocese, lançando bases sólidas de evangelização.

Sucessão Apostólica

Desde 1962, a Diocese de Paracatu foi confiada a pastores que deram continuidade à obra iniciada:

  1. Dom Raimundo Lui, O. Carm. (1962–1977) – Primeiro bispo diocesano.
  2. Dom Jorge Scarso (1977–1979) – Administrador apostólico e sucessor imediato.
  3. Dom José Cardoso Sobrinho, O. Carm. (1979–1985) – Posteriormente Arcebispo de Olinda e Recife.
  4. Dom Leonardo de Miranda Pereira (1986–2012) – Bispo emérito após longa dedicação pastoral.
  5. Dom Jorge Alves Bezerra, SSS (2012–atual) – Quarto bispo diocesano, com o lema “Totus Dei” (Todo de Deus).

Ao longo dessas décadas, a Diocese passou por reorganizações territoriais e eclesiásticas, foi integrada a diferentes províncias eclesiásticas e ampliou sua atuação missionária, pastoral e social.

Patrimônio Histórico e Espiritual

Catedral de Santo Antônio

A Matriz Catedral, erguida originalmente na década de 1730, é um símbolo religioso e cultural do Noroeste mineiro. Construída em taipa e adobe, apresenta características do barroco mineiro com influências da arquitetura religiosa goiana. Distingue-se por não possuir torres sineiras — algo raro em Minas Gerais.

Seu interior abriga sete altares de cedro e um magnífico arco-cruzeiro em estilo D. João V. Hoje, o templo passa por ações de restauro e conservação emergencial, garantindo proteção ao patrimônio e segurança aos fiéis.

Igreja de Sant’Anna

A antiga Igreja de Sant’Anna, datada de 1730, foi demolida em 1935 devido ao avançado estado de deterioração. A decisão, tomada pelo Vigário Frei Miguel Jonkers junto às irmandades locais, teve como objetivo evitar riscos de desabamento e preservar o acervo sacro.

O altar-mor, em cedro, foi transferido para a Matriz de Santo Antônio, e outros altares seguiram para a Igreja do Rosário. Materiais restantes foram aproveitados para custear os trabalhos de demolição — prática comum numa época em que a preservação do patrimônio histórico ainda não era valorizada.

Na década de 1990, uma réplica da igreja foi construída no Largo do Santana, resgatando simbolicamente a devoção antiga.

A Diocese Hoje: Missão e Realidade

O território diocesano abrange aproximadamente 57.000 km², com forte presença rural e atividades econômicas ligadas principalmente à agropecuária, mineração, comércio e crescente setor de serviços.

Ao longo dos anos, a Diocese foi se estruturando pastoralmente. Hoje, conta com trinta e duas paróquias distribuídas pelo território, um seminário dedicado à formação de futuros presbíteros e uma ampla rede de pastorais e movimentos que animam a vida das comunidades. A presença ativa dos leigos, cada vez mais corresponsáveis na missão, favoreceu o surgimento e a expansão de numerosas comunidades cristãs, fortalecendo a caminhada evangelizadora.

Mesmo diante de desafios sociais, desigualdades e migrações, a Igreja permanece como sinal de esperança, buscando unir evangelização e compromisso social.

A Diocese em Números — Censo 2022

Habitantes por Município

  • Paracatu: 94.023
  • Formoso: 7.949
  • Buritis: 24.030
  • Arinos: 17.272
  • Uruana de Minas: 5.678
  • Cabeceira Grande: 6.627
  • Unaí: 86.619
  • Natalândia: 3.520
  • Bonfinópolis de Minas: 5.528
  • Brasilândia de Minas: 15.020
  • Dom Bosco: 3.697
  • Vazante: 19.975
  • Guarda-Mor: 6.539
  • João Pinheiro: 46.801

Soma total de habitantes: 343.278

Pessoas Católicas por Município

  • Paracatu: 53.641 (57,00%)
  • Formoso: 5.646 (71,06%)
  • Buritis: 12.345 (51,33%)
  • Arinos: 9.876 (57,13%)
  • Uruana de Minas: 3.282 (57,74%)
  • Cabeceira Grande: 4.970 (75%)
  • Unaí: 50.285 (58,1%)
  • Natalândia: 2.896 (82,27%)
  • Bonfinópolis de Minas: 4.146 (75%)
  • Brasilândia de Minas: 11.265 (75%)
  • Dom Bosco: 2.780 (75%)
  • Vazante: 15.580 (78%)
  • Guarda-Mor: 4.741 (72,5%)
  • João Pinheiro: 29.661 (62,2%)

Total de católicos: 287.436

Caminho de Fé, Memória e Esperança

A história da Diocese de Paracatu é, antes de tudo, história de pessoas: missionários, leigos, famílias, comunidades inteiras que teceram — com sacrifício, oração e trabalho — a memória viva da fé no Noroeste mineiro.

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