
A história da Diocese de Paracatu se confunde com a própria formação do Noroeste de Minas Gerais. Entre caminhos de poeira, percursos missionários e processos de organização social, foi-se construindo uma identidade marcada pela fé, pela perseverança e pelo sentido de comunidade.
As raízes dessa presença cristã remontam ao período colonial. A descoberta de ouro nas margens dos córregos São Luiz e Sant’Ana atraiu colonizadores, que rapidamente organizaram pequenos núcleos humanos em torno de capelas e ermidas. Onde surgia um povoado, erguia-se também um espaço de oração — expressão concreta de gratidão, pedido e esperança.
Em 1755, por alvará de Dom Francisco Xavier de Aranha, foi criada a Paróquia de Santo Antônio da Manga do Paracatu, marco oficial do início da presença eclesial estruturada na região. Em 1798, com a criação da Vila do Príncipe de Paracatu, a organização social e religiosa ganhou novo impulso.
Já no século XX, o Papa Pio XI criou, em 1º de março de 1929, a Prelazia Nullius de Paracatu, confiando sua administração a Frei Eliseu van der Weijer, O. Carm. Em 1962, o Papa João XXIII elevou a Prelazia à condição de Diocese, nomeando Dom Raimundo Lui, O. Carm., como primeiro bispo diocesano. A partir daí, consolidou-se a caminhada pastoral e missionária que continua viva até hoje.
Figura central na história diocesana, o bispo carmelita Dom Eliseu van der Weijer ficou carinhosamente conhecido como “Pai da Diocese de Paracatu”. Chegou como Monsenhor Prelado em 1929 e governou por 33 anos.
Seu pastoreio foi marcado por simplicidade, bom humor e espírito missionário. Percorria longas e difíceis distâncias sobre o lombo de animais para encontrar comunidades distantes, celebrar sacramentos e animar a fé do povo. Sua presença firme e afetuosa preparou o terreno para a futura elevação da Prelazia à Diocese, lançando bases sólidas de evangelização.
Desde 1962, a Diocese de Paracatu foi confiada a pastores que deram continuidade à obra iniciada:
Ao longo dessas décadas, a Diocese passou por reorganizações territoriais e eclesiásticas, foi integrada a diferentes províncias eclesiásticas e ampliou sua atuação missionária, pastoral e social.
Catedral de Santo Antônio
A Matriz Catedral, erguida originalmente na década de 1730, é um símbolo religioso e cultural do Noroeste mineiro. Construída em taipa e adobe, apresenta características do barroco mineiro com influências da arquitetura religiosa goiana. Distingue-se por não possuir torres sineiras — algo raro em Minas Gerais.
Seu interior abriga sete altares de cedro e um magnífico arco-cruzeiro em estilo D. João V. Hoje, o templo passa por ações de restauro e conservação emergencial, garantindo proteção ao patrimônio e segurança aos fiéis.
Igreja de Sant’Anna
A antiga Igreja de Sant’Anna, datada de 1730, foi demolida em 1935 devido ao avançado estado de deterioração. A decisão, tomada pelo Vigário Frei Miguel Jonkers junto às irmandades locais, teve como objetivo evitar riscos de desabamento e preservar o acervo sacro.
O altar-mor, em cedro, foi transferido para a Matriz de Santo Antônio, e outros altares seguiram para a Igreja do Rosário. Materiais restantes foram aproveitados para custear os trabalhos de demolição — prática comum numa época em que a preservação do patrimônio histórico ainda não era valorizada.
Na década de 1990, uma réplica da igreja foi construída no Largo do Santana, resgatando simbolicamente a devoção antiga.
O território diocesano abrange aproximadamente 57.000 km², com forte presença rural e atividades econômicas ligadas principalmente à agropecuária, mineração, comércio e crescente setor de serviços.
Ao longo dos anos, a Diocese foi se estruturando pastoralmente. Hoje, conta com trinta e duas paróquias distribuídas pelo território, um seminário dedicado à formação de futuros presbíteros e uma ampla rede de pastorais e movimentos que animam a vida das comunidades. A presença ativa dos leigos, cada vez mais corresponsáveis na missão, favoreceu o surgimento e a expansão de numerosas comunidades cristãs, fortalecendo a caminhada evangelizadora.
Mesmo diante de desafios sociais, desigualdades e migrações, a Igreja permanece como sinal de esperança, buscando unir evangelização e compromisso social.
Habitantes por Município
Soma total de habitantes: 343.278
Pessoas Católicas por Município
Total de católicos: 287.436
A história da Diocese de Paracatu é, antes de tudo, história de pessoas: missionários, leigos, famílias, comunidades inteiras que teceram — com sacrifício, oração e trabalho — a memória viva da fé no Noroeste mineiro.